25 março 2021

BASTA!

Chega, já deu, a indignação manifestada pelas mídias sociais é insuficiente. Não podemos mais assistirmos passivos ao genocídio que está acontecendo no Brasil hoje. Já passamos dos 300 mil mortos por um vírus que não encontra nenhum obstáculo para continuar matando. E tudo isso com o estímulo de quem, por dever, deveria estar a enfrentá-lo.

As instituições, cegas e surdas, se limitam a cards plasticamente bonitos, frases de efeito nas mídias e notas de repúdio. Os donos do poder, aqueles a quem alguns chamam de Mercado, com a mão invisível cheia de dinheiro as custas do sofrimento do povo, assistem a tudo com seus sorrisos de hienas e, quando no máximo, escrevem cartinhas chorosas.

Oh, representantes do povo! Em que mundo, em que estrela se escondestes? Estão embuçados no Céu? Pelo jeito estamos no mato sem cachorro. Estão todos pensando na próxima eleição e nos deixaram à mingua diante de nossos algozes.

Sim, são muitos os algozes. Além do miliciano mór – gente acostumada a matar – existem os cúmplices. E estes só aumentam em número. Primeiro vieram os que venderam a alma e a pena. Estes, a serviço de uma imprensa servil ao Deus Mercado, lacaios buscando um lugar na mesa de jantar dos patrões, escreveram ao povo sobre “escolhas difíceis”. Deu no que deu e hoje, cínicos que são, fazem cara de paisagem. Somem-se aos escribas da grande imprensa, aos novos ricos que queriam passear na Disney e aos milhões de incautos que foram ludibriados por aqueles, todos os que hoje cruzam os braços diante da matança.

Ontem vimos mais um exemplo de que estamos sozinhos, ao Deus dará. Numa sessão do Senado Federal – pasmem – onde ilustres senadores recebiam o ministro das Relações Exteriores, um assessor especial do presidente da República, fez um gesto nazista em alusão a supremacia branca. Repito: em pleno Senado do República. Nada aconteceu com esse criminoso. O antissemitismo, nazismo, ou supremacia branca, por definição constitucional são crimes. Violam o Inciso III do art. 3º; VIII, do art. 4º; art. 5º, caput. Não se trata de liberdade de expressão, portanto.

Pois, esse rapaz cometeu um crime, numa sessão do Senado Federal transmitida para o público e não foi preso. A ADL (Anti-Defamation League), identifica o gesto do assessor do presidente do Brasil como um símbolo que os indivíduos de extrema direita utilizam como “tática de trolagem” em postagens entre si nas redes sociais. Denunciado o seu gesto o assessor-criminoso, do presidente também criminoso, tripudiou mais uma vez. Ao negar que fizera um gesto nazista, disse que estava arrumando a lapela. Sabem qual foi a desculpa que o nazista Adolf Eichman deu em seu julgamento sobre gesto idêntico? “Eu estava só arrumando a lapela”. O que me dizem de tamanho escárnio?

Não dá mais! Não temos tempo para esperar mais por ninguém. Instituições, senadores, deputados, imprensa, ninguém. Ou reagiremos agora ou morreremos todos sem sequer o direito de berrar. Quem sobreviver reze pela profecia de Riobaldo: “um dia entra em desuso matar gente”.


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