25 agosto 2021

Pátria Erótica Brasil

            Brasil é mundialmente conhecido como o país de um povo sensual que trata o erotismo como uma divisa. Uma espécie de commodity. Um orgulho nacional. É assim desde que Cabral chegou por aqui.

A índia Iracema de José de Alencar era “a virgem dos lábios de mel” que seduz Martim, um português colonizador explorador de terras do Ceará no século XVI. Numa passagem do livro o escritor descreve que Iracema conduz o português para um bosque sagrado e prepara uma poção alucinógena para o amado. Martim logo fica inconsciente. Iracema, então, deita nos seus braços. Em seguida, uma sutil indicação no texto sugere que eles transaram: "Tupã já não tinha sua virgem na terra dos tabajaras". 

Em novembro de 1889, Dom Pedro II e a família imperial, tristes com a iminente queda do império, promoveram uma festa e convidaram toda a nobreza nativa para uma espécie de saideira. Essa festa entrou para a história como O Último Baile da Ilha Fiscal. Ali, num sábado à noite, os 2 mil convivas foram recepcionados por moças em trajes de sereia, dançaram valsas, polcas e mazurcas e consumiram 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe, 10 mil litros de cerveja, afora os licores e destilados.

Durante vários anos o programa televisivo mais assistido pela família brasileira nas tardes de domingo era a “Banheira do Gugu”, onde um casal seminu se enroscava numa banheira, mão naquilo, aquilo na mão, a procura de um sabonete.

Na verdade, nós realmente somos um povo que valoriza o “borogodó, o balacobaco e o ziriguidum”.  Nada tem graça para nós se não tiver erotismo na parada. As letras e o molejo do Funk carioca, do Arrocha e do Piseiro/Sofrência são verdadeiros afrodisíacos a estimularem nossos desejos mais calientes. É comum assistirmos nas mídias sociais a vídeos gravados por pais sorridentes mostrando suas crianças dançando numa coreografia sensualizada ao som de hit’s como o de Mari Fernandez:

“Passa lá em casa,

tira minha roupa,

Fala que me ama (…)

vem quebrar a minha cama”.

Daí que não nos causa surpresa que essa erotização domine também a cena política brasileira. O tema que predominou nas últimas eleições presidenciais, por exemplo, foi a famosa “mamadeira de piroca”. Uma assessora do Ministério da Saúde costuma ver pênis nas fachadas dos prédios e a ministra da família, só pensa naquilo.

O atual presidente da república vive se vangloriando de ser “incomível e imbrochável”. Seu principal opositor, o ex-presidente Lula, de uns tempos pra cá vive a exaltar seu “tesão de um jovem de 20 anos”. Como quem “mata a cobra e mostra o pau”, desde ontem uma foto do ex-presidente em pose sexy sob o luar de Fortaleza viralizou na internet.

Enquanto a classe trabalhadora se distraia gretando os músculos rijos do Lula, o direitoso Centrão passava a mão em seus direitos aprovando em segundo turno na Câmara, a MP da nova reforma trabalhista, permitindo contratações sem férias, 13º e com FGTS menor. A medida agora segue para votação no Senado.

E assim o baile continua: os trabalhadores rebolando e os patrões gozando.

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